a nossa música (:
Não sei bem como começar esta carta pois este pequeno e mísero texto provavelmente não irá ser o último que te escrevo mas marca uma ruptura e neste momento eu preciso dela.
A dor que senti nos últimos meses fora a única prova que tinha de que foi real o que tivémos. Eu pensava ‘ele vai voltar’, ‘não vou desistir dele’ e tentei ao longo de várias semanas culpar-te por o nosso fim ter chegado mas apercebi-me que estava a cometer um erro ao fazê-lo e que estava na altura de desistir, estava na altura de deixar-te ir. Não penses que está a ser fácil para mim porque não está. Estaria a mentir se te dissesse que não penso em ti, que já não penso em nós. É certo que o faço com menos regularidade, mas faço-o.
Vivi durante semanas a fio sempre com a mesma verdade na cabeça, a verdade de ter-te entregado todo o meu coração e mesmo assim não ter sido suficiente e ao pensar nisto uma força que ainda hoje desconheço de onde vem fazia-me desejar-te perto de mim, fazia-me querer-te e ao querer-te eu amava-te ainda mais. Dizer que te amava é pouco pois essa palavrinha não descreve nem um terço do que eu sentia por ti. Eu tornei-me dependente de ti. Sei bem que no amor não devemos ser dependentes mas nunca conheci ninguém que não o fosse. (…)
A tua maior dificuldade está em seres sincero comigo, contigo e com os teus próprios sentimentos e é por este motivo que tantas vezes te afastas quando estamos a ficar mais próximos. Perdes-te nas tuas dúvidas por não saberes o que queres e dessa mesma forma me deixas a mim confusa, sem saber o que queres, o que quero e acima de tudo sem saber o que fazer. Mas eu aguento. Eu aguento as tuas confusões, aguento a forma como tão bruscamente te afastas de mim e aguento esta dor que me tem perseguido e me tem tirado o sono. A única coisa que não suporto é ver-te sofrer. Portanto, se a tua felicidade está ao lado dela eu apoio-te em tudo e sou a primeira pessoa a desejar-te do fundo do coração todas as felicidades do mundo. Não penses que estou a dizer isto da boca para fora porque não estou. Se não podemos ser felizes juntos como eu tanto gostava ao menos que estejas ao lado de alguém que te faça sentir bem, ao lado de alguém que te faça feliz porque se tu estiveres bem eu também estou pois a tua felicidade importa-me mais do que a minha. (…)
‘As células têm a sua própria memória ainda que eu não quisesse elas encarregavam-se de me lembrar o que foi importante na minha vida. E tu foste muito importante, porque te amei sem restrições nem limites, aceitando-te com todos os teus defeitos. Ninguém me vê como tu, ninguém te vê como eu. Há um encanto só nosso que nos faz pairar por cima de todas as coisas sempre que estamos juntos. Há um cuidado e uma estima em relação ao outro que fizeram com que nos mantivéssemos sempre próximos, apesar da distancia.Tu vives em mim por tudo o que representaste de bom e que foste de mau. E, no entanto, não tenho por ti nenhum sentimento de raiva, revolta, de tristeza ou de desejo de esquecimento por todas as desilusões e dissabores que me causaste; fui eu que deixei que me fizesses mal e sei melhor do que ninguém que nunca me quiseste magoar.’ Aliás, eu magoei-te mais a ti do que tu a mim. (…)
Contudo sinto-me orgulhosa por ter feito com que me amasses, tu próprio me disseste que nunca amaras ninguém como me amaras a mim. ‘Tu amaras-me muito e eu sei disso perfeitamente, mas a distancia, as circunstancias e ainda e sempre o medo haviam-te impedido de agarrar o sonho pelo qual eu continuava inutilmente a lutar. (…) Apaixonamo-nos por aquilo que não conhecemos e amamos aquilo que conhecemos. Eu amei-te na medida em que te conheci enquanto tu apenas te apaixonaste por mim. Acredito agora que na verdade nunca me conheceste. Já eu, que te conheço bem, amei-te por tudo o que me fizeste sentir, por ser quem era e como era quando estávamos juntos: feliz, um pouco frágil, sonhadora, dócil como nunca fui com qualquer outro homem. O nosso amor fora belo, sim, fora grandioso e perfeito; porém, para ti, já morrera havia algum tempo, por não ser possível.’(…)
Olho para trás e já não sinto grande coisa por ti, apenas um enorme carinho mas esse quero preservá-lo para sempre.
A vida está a dar-me uma segunda oportunidade que eu vou agarrar. Preciso de fazê-lo. Preciso de sentir que estou a andar em frente, que estou a fazer alguma coisa por mim. Só deus sabe o caminho que percorri e quantas vezes tropecei para chegar aqui. Cheguei, ilesa, inteira e afinal é isso que importa.
Há coisas que nunca se agarram, o amor é uma delas. Sempre que tentas correr atrás dele, brinca com a tua dor. Este, aparece para alterar o rumo da tua vida, e acaba sempre por conseguir, quer queiras quer não.
