O DIA EM QUE TE ESQUECI
Podemos demorar muitos anos até conseguir passar por cima das coisas sem mágoa. Primeiro vem o esforço, depois o falso esquecimento. Seguem-se o rancor, a revolta, a sensação de impotência. Tantas vezes nos atiramos para os braços de outro homem, pensando que esse é o caminho mais curto para esquecer alguém, e tantas vezes esse é o caminho que se revela mais longo. (...) Há mesmo um dia, meu querido, em que chega a libertação, dia D do coração. Nunca é quando queremos, apenas e só quando estamos preparados. E para nos prepararmos é preciso querer. Quantas e quantas vezes as pessoas usam o verbo conseguir de forma errada! Quando eu dizia que não te conseguia esquecer, a verdade é que não queria esquecer-te. (...) Querer e conseguir não são o mesmo; só consegues quando queres, o contrário não é possivel. Escrevo para me ler e para me ouvir, porque também preciso das minhas palavras. Preciso que elas me alimentem sem que ao mesmo tempo me matem. Palavras de alento e de esperança, agora com os pés na terra. (...) O amor constrói-se do chão, levantando pedra atrás de pedra, como se de penas se tratasse. Sem medo, com calma, sem esforço, apenas com vontade. Dando espaço e tempo, dando a mão. O amor é um caminho a dois e a grandeza de um homem está em ser uma ponte, não uma meta, e ninguém consegue construir uma ponte sozinho. (...) O amor é uma construção. Não sei se algum dia saberás o que é. Eu estou a aprender. Aprendi muito neste último ano. (...) Deseja-me boa sorte, porque a quero e mereço. E a ti, desejo-te a paz possível de uma existência subtraída. (...)
Margarida Rebelo Pinto